Não apenas um blog...

domingo, 30 de dezembro de 2007

Retrospectiva 2007

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Escrever sobre o ano de 2007 é, de certo modo, algo que provavelmente vá fazer com que eu durma chateado esta noite. Chateado por uma série de pequenos acontecimentos que, somados, fizeram com que em vários momentos ao longo de 2007 eu sentisse vontade de desistir de tudo aquilo em que há dois anos busco para o meu futuro. Vontade de deixar de lado minhas ambições, minhas vontades e sonhos e por um ponto final na aventura do menino que saiu do interior do Paraná, fez uma escala de um ano em São Paulo e, finalmente, estacionou em Curitiba, onde tentou buscar aquilo que almejava.
E é exatamente por isto que sou grato aos meus pais e, principalmente, aos meus amigos. Meus “irmãos” de pensionato que me ergueram e incentivaram nos momentos mais difíceis, fosse com palavras de incentivo ou com suas próprias experiências de vida. E também aos meus amigos “da antiga” que, mesmo longe, faziam questão de saber como eu andava e de me ligar eventualmente pra conversar e matar a saudade. Pessoas que, independentemente de me conhecerem há dez anos ou há um mês, foram de grande importância. Obrigado parceiros.
O ano começou com um belo de um balde de água fria logo em janeiro, quando saíram os resultados dos vestibulares do ano passado. Saber que o cursinho me esperava fez com que eu sentisse remorso de não ter dado o meu máximo em 2006. O peso na consciência de jogar fora um ano de investimentos por parte dos meus pais me ajudou a amadurecer e a perceber que o mínimo que eu teria que fazer neste ano, era dedicar-me integralmente e com tudo aos estudos.
Depois, no dia três de março, aconteceu algo que não marcou só meu ano e, sim, minha vida daqui para frente. Perdi um dos entes mais queridos que eu tive até hoje. Alguém que, além de ter minha admiração, representava um porto seguro em minha vida. Confidente, parceira, amiga... Alguém que detinha um imenso carinho de minha parte.
Naquele sábado, ao perceber o que tinha acontecido, chorei o choro mais sincero de toda a minha vida. Não tenho dúvida disso. Chorei por tristeza e, principalmente, por não entender como a vida pode ser tão injusta às vezes. Decidir assim, sem mais nem menos, o futuro de alguém. Retirar deste mundo, uma pessoa alegre, sorridente, feliz, bem-intencionada, que não fazia mal a ninguém. Uma garota tão cheia de... VIDA! Não... Não consigo entender até agora... Durante o restante do ano, este acontecimento trouxe horas de insônia, surtos de tristeza e muitos, mas muitos momentos de reflexão. Olhar para o céu, em busca de alguma estrela ou então da Lua, tornou-se rotina antes de dormir. Busquei na noite e nas constelações lembranças dos momentos, eternizados em minha memória, em que passamos juntos. A cada boa recordação, um sorriso. Afinal, estar em sua companhia, e com a Mi, era garantia de alegria e descontração.
Voltando à retrospectiva. Outras pessoas próximas se foram ao longo de ano, comprovando assim o que diz meu pai: “O que basta é estar vivo e com saúde, o resto, a gente vai levando.”. A cada perda, um aprendizado (o maior deles, obviamente, em março). Comecei a dar um valor maior ao “agora”, em detrimento do “amanhã”. Aproveitar a família e os amigos com maior afinco. Afinal, não sabemos o que nos espera amanhã.

Já de março até dezembro, prefiro resumir meu ano a uma palavra: Cursinho. Segunda casa? Moradia? Lugar ideal? Não sei. Só sei que foi na sala de estudos do cursinho que eu passei uma boa parte dos meus dias nesse ano. Em alguns momentos não estudei, confesso, mas tenho convicção de que fiz quase tudo que eu podia para passar no vestibular. Uma rotina de “pensionato-cursinho, cursinho-pensionato” levada a sério e com empenho, atrás daquilo que pretendo para meus próximos anos.
Falar que não houve momentos de alegrias neste ano seria mentira. As amizades que fiz trouxeram consigo inúmeras situações inusitadas e, principalmente, divertidas. Fosse zoando a porta de alguém e deixando os tradicionais “enigmas” ou relaxando com a “piazada” no vídeo game, boas risadas com a galera do pensionato não faltaram. Afinal, éramos irmãos de convivência. E tenho certeza que dentre eles sairão médicos, advogados e engenheiros competentes, além de grandes cidadãos. Orgulho-me disso. Afinal, a dedicação deles era exemplo pra mim.
2007 foi um ano de muita dedicação, um ano de alegrias e, principalmente, um ano de saudade.
Então, relevando todos os acontecimentos marcantes de 2007, torço para que o novo ano que se inicia traga saúde e paz para todos meus amigos e familiares. E, por favor, um pouco mais de sorte para mim...
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A todos, um bom 2008.
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O céu ganhou sua estrela mais bela no dia em que você se foi... Saudades de ti May
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Super-heróis



Todo mundo em sua infância teve um super-herói. Alguém em que você, um pirralho barulhento e bagunceiro, se inspirava para fazer ainda mais barulho e ainda mais bagunça. Por mais que ele pudesse ser um ícone perverso e sombrio, era um exemplo a ser seguido, levando em conta suas atitudes acerca dos mais diversos temas e debates. Fosse uma personagem de desenhos, filmes ou novela, ela representaria todo um modo de agir e comportar-se. A nós, pequenos pestinhas, restava a identificação e apreciação de nossos “salvadores da pátria”.
Com o tempo, você cresce e percebe que toda aquela admiração não passou de um ato falho em sua vida. Afinal, como você pôde se fantasiar de Power Ranger e bater nos seus parentes com uma espada de plástico chamando-os de malfeitores ou alienígenas? Como você pôde brigar com o seu melhor amigo por causa de uma figurinha que você não tinha no seu álbum do Pokémon? Como você pôde deixar de andar de bicicleta com este seu mesmo amigo – agora “de bem” novamente – para não perder o episódio final da luta entre o Goku e o Vegeta?
É... Quando você supera esse nível de insanidade, percebe que realmente algo está mudando. Lendas e histórias já não têm a mesma graça de outrora. Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e tantas outras personagens agora não saem do baú em que você nomeou “Infância” e lacrou a sete chaves.
A partir desse momento, surge um novo dilema: Em quem se inspirar? Quem seguir? Espelhar-se em quem? O desenho não lhe transmite mais aquela confiança de outros tempos e a necessidade de tirar exemplos de vida aumenta. Você busca, em outra pessoa, lições e ensinamentos para facilitar a sua vida e as suas relações. Procura na mídia celebridades que representem aquilo que você é. Tenta na política olhar alguém que ponha em prática ideais que lhe agradam (logo desiste desiludindo-se de nossos governantes). Ou então, apela pro que sobrar: Esportistas, empresários, donos de empresas, amigos. Por fim, acaba escolhendo o seu ídolo e partindo dele para tomar suas decisões.
Coisas do destino. Dia desses tive a sorte de poder sentar com meu super-herói, meu ídolo. Aproveitei que eu não conversava com ele há muito tempo e ouvi atento os ensinamentos e dicas que ele me dava. Assimilei o máximo de informações possíveis no pouco mais de duas horas em que ficamos sentados em um banco na beira-mar e tive, mais uma vez, a certeza do quão importante aquele ícone de admiração representava para mim. Cada história, cada comentário, era de uma importância inimaginável. Ali, sentado naquele banco, eu aprendia cada vez mais sobre a imensidão que é a vida e todas as relações que a circundam. Uma grande realização pessoal.
Por sorte, consegui repetir aqueles raros momentos outras vezes ao longo daquelas semanas. Cada encontro era marcado por um respeito e uma consideração crescentes diariamente. E assim, para o meu delírio, transcorreram os dias.
Sinceramente, gostaria que, naquele banco, nossos momentos de descontração e fidelidade se repetissem com mais freqüência ao longo do ano. É verdade que, daqui para frente, cada vez menos poderemos repetir tais situações em decorrência das responsabilidades que possivelmente assumirei nos próximos anos, mas fica, desde já, a saudade e a torcida para que, se não diariamente, possamos repeti-los algumas boas vezes.
Afinal de contas, agradeço muito por poder ser filho do meu herói.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Espírito de natal

Penúltimo dia de novembro de 2007, dez horas da noite, Rua XV, centro de Curitiba. Pessoas circulam normalmente, bares e mesas lotados, barracas abertas na Praça Osório. Uma típica sexta-feira. Nenhuma novidade, exceto o tradicional coral do HSBC que antecipa o natal.
Eu? Somente um vestibulando perambulando sem rumo aproximadamente uma semana antes da segunda fase do processo seletivo da Universidade Federal do Paraná. Deveria estar estudando naquele momento, confesso, mas após passar o dia inteiro no cursinho resolvi, junto com uma amiga, dar uma relaxada, uma “esquecida na vida”. Deixamos de lado a responsabilidade cada vez maior que nos afligia e optamos por uma volta. Após não saber ao certo aonde ir, o shopping pareceu ser a melhor opção.
Engraçado. O shopping sempre parece ser a melhor opção quando você não tem muita certeza do que fazer. Você chega sem saber o que quer e sai sem lembrar o motivo de ter comprado alguma coisa. Um tanto quanto consumista, realmente. Que seja. Não vou agora julgar o lugar aonde cada um deve ir, ou o que fazer com sua vida. O que importa é que passamos um bom tempo conversando, como bons amigos, sentados na praça de alimentação, enquanto anoitecia na capital paranaense. Deixei minha amiga em casa, como ensinara meu pai que esta era a maneira correta de lidar com uma dama, e peguei o rumo de casa.
Por alguma razão não optei pelo caminho alternativo que faria com que eu chegasse mais rapidamente ao meu destino. Preferi passar pela Rua XV. Vestibulando gosta de ver gente. Ainda mais quando passa a maior parte de seu tempo sentado em uma sala estudando. Eu estava um tanto cansado e pensativo neste dia. Não sei bem ao certo se era por causa do vestibular que se aproximava ou era por não poder, assim como aquelas pessoas que andavam na rua, aproveitar o inicio de mais um final de semana.
Caminhei sem me preocupar com horário ou com responsabilidades. Simplesmente me desliguei de todas as minhas aflições e tentei prestar atenção nas pessoas que por ali andavam. Suas fisionomias, preocupações, alegrias, tudo. Fiquei observando-as ao longo de uma boa parte do calçadão e surpreendi-me com as conclusões que cheguei.
Como um exemplo de uma família bem estruturada, com condições de manter o filho estudando em um bom colégio e morando em outra cidade, me senti inútil por ser absolutamente omisso à sociedade. Envergonhei-me de, assim como muitos, não tentar ajudar pessoas necessitadas ou fazer a minha parte por um país melhor e mais justo. Por que cheguei a essa conclusão? Fácil. Vi jovens, assim como eu, que não têm e nem terão metade das oportunidades que eu provavelmente terei na vida, ajudando pessoas que ganham seu sustento juntando latas e papelão para reciclagem. Vi famílias que não têm nem residência fixa, sorrindo e observando as luzes da rua. Vi senhores conversando com uma vitalidade e uma disposição que nem eu, nos meus dezoito anos de vida, tenho normalmente. Vi garis, sem cara fechada ou ódio de seus empregos, limpando a cidade após mais um dia agitado.
Em quinze minutos percebi a insignificância de dezoito anos de vida. Percebi ali, no meio da rua, que durante minha vida não tomei atitudes que pudessem, de alguma forma, ajudar alguém além de mim. Vi o quão egoísta e individualista eu fui e sou e me envergonhei profundamente por isso.
Como mudarei isso eu não sei. Por que decidi transcrever em palavras o que senti aquele dia? Simples. Tentar fazer com que, assim como eu, alguém perceba que para poder reivindicar mudanças é necessário, primeiramente, fazer alguma coisa.
No mais, é quase dezembro. Não custa deixar que o “espírito natalino” nos faça ajudar e cooperar com quem precise. Encher o coração de compaixão e amor ao próximo não faz mal a ninguém. Agora é o momento de estender a mão àquele em que, durante o ano inteiro, você não fez questão de perceber. Deixar de lado egoísmos e preconceitos e destruir, passo a passo, barreiras étnicas, políticas ou econômicas.
É... Pena que natal é só uma vez por ano...
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E assim começo esse blog...