Penúltimo dia de novembro de 2007, dez horas da noite, Rua XV, centro de Curitiba. Pessoas circulam normalmente, bares e mesas lotados, barracas abertas na Praça Osório. Uma típica sexta-feira. Nenhuma novidade, exceto o tradicional coral do HSBC que antecipa o natal.
Eu? Somente um vestibulando perambulando sem rumo aproximadamente uma semana antes da segunda fase do processo seletivo da Universidade Federal do Paraná. Deveria estar estudando naquele momento, confesso, mas após passar o dia inteiro no cursinho resolvi, junto com uma amiga, dar uma relaxada, uma “esquecida na vida”. Deixamos de lado a responsabilidade cada vez maior que nos afligia e optamos por uma volta. Após não saber ao certo aonde ir, o shopping pareceu ser a melhor opção.
Engraçado. O shopping sempre parece ser a melhor opção quando você não tem muita certeza do que fazer. Você chega sem saber o que quer e sai sem lembrar o motivo de ter comprado alguma coisa. Um tanto quanto consumista, realmente. Que seja. Não vou agora julgar o lugar aonde cada um deve ir, ou o que fazer com sua vida. O que importa é que passamos um bom tempo conversando, como bons amigos, sentados na praça de alimentação, enquanto anoitecia na capital paranaense. Deixei minha amiga em casa, como ensinara meu pai que esta era a maneira correta de lidar com uma dama, e peguei o rumo de casa.
Por alguma razão não optei pelo caminho alternativo que faria com que eu chegasse mais rapidamente ao meu destino. Preferi passar pela Rua XV. Vestibulando gosta de ver gente. Ainda mais quando passa a maior parte de seu tempo sentado em uma sala estudando. Eu estava um tanto cansado e pensativo neste dia. Não sei bem ao certo se era por causa do vestibular que se aproximava ou era por não poder, assim como aquelas pessoas que andavam na rua, aproveitar o inicio de mais um final de semana.
Caminhei sem me preocupar com horário ou com responsabilidades. Simplesmente me desliguei de todas as minhas aflições e tentei prestar atenção nas pessoas que por ali andavam. Suas fisionomias, preocupações, alegrias, tudo. Fiquei observando-as ao longo de uma boa parte do calçadão e surpreendi-me com as conclusões que cheguei.
Como um exemplo de uma família bem estruturada, com condições de manter o filho estudando em um bom colégio e morando em outra cidade, me senti inútil por ser absolutamente omisso à sociedade. Envergonhei-me de, assim como muitos, não tentar ajudar pessoas necessitadas ou fazer a minha parte por um país melhor e mais justo. Por que cheguei a essa conclusão? Fácil. Vi jovens, assim como eu, que não têm e nem terão metade das oportunidades que eu provavelmente terei na vida, ajudando pessoas que ganham seu sustento juntando latas e papelão para reciclagem. Vi famílias que não têm nem residência fixa, sorrindo e observando as luzes da rua. Vi senhores conversando com uma vitalidade e uma disposição que nem eu, nos meus dezoito anos de vida, tenho normalmente. Vi garis, sem cara fechada ou ódio de seus empregos, limpando a cidade após mais um dia agitado.
Em quinze minutos percebi a insignificância de dezoito anos de vida. Percebi ali, no meio da rua, que durante minha vida não tomei atitudes que pudessem, de alguma forma, ajudar alguém além de mim. Vi o quão egoísta e individualista eu fui e sou e me envergonhei profundamente por isso.
Eu? Somente um vestibulando perambulando sem rumo aproximadamente uma semana antes da segunda fase do processo seletivo da Universidade Federal do Paraná. Deveria estar estudando naquele momento, confesso, mas após passar o dia inteiro no cursinho resolvi, junto com uma amiga, dar uma relaxada, uma “esquecida na vida”. Deixamos de lado a responsabilidade cada vez maior que nos afligia e optamos por uma volta. Após não saber ao certo aonde ir, o shopping pareceu ser a melhor opção.
Engraçado. O shopping sempre parece ser a melhor opção quando você não tem muita certeza do que fazer. Você chega sem saber o que quer e sai sem lembrar o motivo de ter comprado alguma coisa. Um tanto quanto consumista, realmente. Que seja. Não vou agora julgar o lugar aonde cada um deve ir, ou o que fazer com sua vida. O que importa é que passamos um bom tempo conversando, como bons amigos, sentados na praça de alimentação, enquanto anoitecia na capital paranaense. Deixei minha amiga em casa, como ensinara meu pai que esta era a maneira correta de lidar com uma dama, e peguei o rumo de casa.
Por alguma razão não optei pelo caminho alternativo que faria com que eu chegasse mais rapidamente ao meu destino. Preferi passar pela Rua XV. Vestibulando gosta de ver gente. Ainda mais quando passa a maior parte de seu tempo sentado em uma sala estudando. Eu estava um tanto cansado e pensativo neste dia. Não sei bem ao certo se era por causa do vestibular que se aproximava ou era por não poder, assim como aquelas pessoas que andavam na rua, aproveitar o inicio de mais um final de semana.
Caminhei sem me preocupar com horário ou com responsabilidades. Simplesmente me desliguei de todas as minhas aflições e tentei prestar atenção nas pessoas que por ali andavam. Suas fisionomias, preocupações, alegrias, tudo. Fiquei observando-as ao longo de uma boa parte do calçadão e surpreendi-me com as conclusões que cheguei.
Como um exemplo de uma família bem estruturada, com condições de manter o filho estudando em um bom colégio e morando em outra cidade, me senti inútil por ser absolutamente omisso à sociedade. Envergonhei-me de, assim como muitos, não tentar ajudar pessoas necessitadas ou fazer a minha parte por um país melhor e mais justo. Por que cheguei a essa conclusão? Fácil. Vi jovens, assim como eu, que não têm e nem terão metade das oportunidades que eu provavelmente terei na vida, ajudando pessoas que ganham seu sustento juntando latas e papelão para reciclagem. Vi famílias que não têm nem residência fixa, sorrindo e observando as luzes da rua. Vi senhores conversando com uma vitalidade e uma disposição que nem eu, nos meus dezoito anos de vida, tenho normalmente. Vi garis, sem cara fechada ou ódio de seus empregos, limpando a cidade após mais um dia agitado.
Em quinze minutos percebi a insignificância de dezoito anos de vida. Percebi ali, no meio da rua, que durante minha vida não tomei atitudes que pudessem, de alguma forma, ajudar alguém além de mim. Vi o quão egoísta e individualista eu fui e sou e me envergonhei profundamente por isso.
Como mudarei isso eu não sei. Por que decidi transcrever em palavras o que senti aquele dia? Simples. Tentar fazer com que, assim como eu, alguém perceba que para poder reivindicar mudanças é necessário, primeiramente, fazer alguma coisa.
No mais, é quase dezembro. Não custa deixar que o “espírito natalino” nos faça ajudar e cooperar com quem precise. Encher o coração de compaixão e amor ao próximo não faz mal a ninguém. Agora é o momento de estender a mão àquele em que, durante o ano inteiro, você não fez questão de perceber. Deixar de lado egoísmos e preconceitos e destruir, passo a passo, barreiras étnicas, políticas ou econômicas.
É... Pena que natal é só uma vez por ano...
No mais, é quase dezembro. Não custa deixar que o “espírito natalino” nos faça ajudar e cooperar com quem precise. Encher o coração de compaixão e amor ao próximo não faz mal a ninguém. Agora é o momento de estender a mão àquele em que, durante o ano inteiro, você não fez questão de perceber. Deixar de lado egoísmos e preconceitos e destruir, passo a passo, barreiras étnicas, políticas ou econômicas.
É... Pena que natal é só uma vez por ano...
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E assim começo esse blog...
2 comentários:
Nossa, adorei o blog viu koda..
você pode ter certeza que com esse seu 'desabafo', pode dar muitas lições de vida pra muitos que lerem aqui, e se não lerem. Pode acreditar que pra mim vai dar!
sério mesmo, amei ficar lendo aqui.. Escreve mais viu!
Olha só, tudo de bom pra você em 2008, muita sorte nos estudos.. Porque por mais que você fale, você se esforço esse ano, pode não ter sido o melhor, mas melhorou muito ne! Muita sorte pra você ano que vem, que aconteça tudo de melhor na sua vida,que você consiga alcançar seus objetivos e realizar seus sonhos, que você aproveite ela a cada instante, porque como você disse ‘ nós nunca sabemos o que vai acontecer no amanhã! ’, muita saúde, alegria, pra você e pra sua família, afinal você merece ne kodaminha! (:
você sabe que apesar do pouco que nós nos conhecemos, eu tenho um carinho enorme por você, te consido bastante!
Continue sempre assim viu!
Adoro você.
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