sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Super-heróis



Todo mundo em sua infância teve um super-herói. Alguém em que você, um pirralho barulhento e bagunceiro, se inspirava para fazer ainda mais barulho e ainda mais bagunça. Por mais que ele pudesse ser um ícone perverso e sombrio, era um exemplo a ser seguido, levando em conta suas atitudes acerca dos mais diversos temas e debates. Fosse uma personagem de desenhos, filmes ou novela, ela representaria todo um modo de agir e comportar-se. A nós, pequenos pestinhas, restava a identificação e apreciação de nossos “salvadores da pátria”.
Com o tempo, você cresce e percebe que toda aquela admiração não passou de um ato falho em sua vida. Afinal, como você pôde se fantasiar de Power Ranger e bater nos seus parentes com uma espada de plástico chamando-os de malfeitores ou alienígenas? Como você pôde brigar com o seu melhor amigo por causa de uma figurinha que você não tinha no seu álbum do Pokémon? Como você pôde deixar de andar de bicicleta com este seu mesmo amigo – agora “de bem” novamente – para não perder o episódio final da luta entre o Goku e o Vegeta?
É... Quando você supera esse nível de insanidade, percebe que realmente algo está mudando. Lendas e histórias já não têm a mesma graça de outrora. Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e tantas outras personagens agora não saem do baú em que você nomeou “Infância” e lacrou a sete chaves.
A partir desse momento, surge um novo dilema: Em quem se inspirar? Quem seguir? Espelhar-se em quem? O desenho não lhe transmite mais aquela confiança de outros tempos e a necessidade de tirar exemplos de vida aumenta. Você busca, em outra pessoa, lições e ensinamentos para facilitar a sua vida e as suas relações. Procura na mídia celebridades que representem aquilo que você é. Tenta na política olhar alguém que ponha em prática ideais que lhe agradam (logo desiste desiludindo-se de nossos governantes). Ou então, apela pro que sobrar: Esportistas, empresários, donos de empresas, amigos. Por fim, acaba escolhendo o seu ídolo e partindo dele para tomar suas decisões.
Coisas do destino. Dia desses tive a sorte de poder sentar com meu super-herói, meu ídolo. Aproveitei que eu não conversava com ele há muito tempo e ouvi atento os ensinamentos e dicas que ele me dava. Assimilei o máximo de informações possíveis no pouco mais de duas horas em que ficamos sentados em um banco na beira-mar e tive, mais uma vez, a certeza do quão importante aquele ícone de admiração representava para mim. Cada história, cada comentário, era de uma importância inimaginável. Ali, sentado naquele banco, eu aprendia cada vez mais sobre a imensidão que é a vida e todas as relações que a circundam. Uma grande realização pessoal.
Por sorte, consegui repetir aqueles raros momentos outras vezes ao longo daquelas semanas. Cada encontro era marcado por um respeito e uma consideração crescentes diariamente. E assim, para o meu delírio, transcorreram os dias.
Sinceramente, gostaria que, naquele banco, nossos momentos de descontração e fidelidade se repetissem com mais freqüência ao longo do ano. É verdade que, daqui para frente, cada vez menos poderemos repetir tais situações em decorrência das responsabilidades que possivelmente assumirei nos próximos anos, mas fica, desde já, a saudade e a torcida para que, se não diariamente, possamos repeti-los algumas boas vezes.
Afinal de contas, agradeço muito por poder ser filho do meu herói.

Um comentário:

Unknown disse...

Po.. mas isso eh verdade. As vezs a gente naum da valor aos pais porque eles sempre tao por perto, mas no que se refere a experiencia de vida sao eles quem sempre vao fazer falta pra gente.